Ponto Um
Gazeta de Limeira

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02/11/2018 - Colunas

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Porta-retratos

Há uma sensação comum, ultimamente, relativa ao tempo. Em sua opinião, de fato, a vida tem passado rápido demais? Sempre quando deparo com essas reclamações tenho a visão de um tratorista cuidando da plantação. Por mais que se esforce, o tempo é limitado entre seu planejamento e o que executou, consideradas as variáveis meteorológicas. Há, também, de se considerar o momento certo para o trato da lavoura, como a escolha de momentos apropriados, por exemplo, para adubação e controle de pragas. Em média, o pico de seus afazeres ocorre dentro de seis meses; nos demais ele encontra outros, menos exigentes. Portanto, se lhe perguntarmos sua noção de tempo, essas serão suas referências, porque ciclos agrícolas obedecem a suas próprias leis. Grosseiramente comparando, do cultivo à colheita, entre o nascimento e a morte possuímos grande autonomia do que fazer nesse intervalo. E, engraçado, tal como a lavoura germinando, há momentos mais apropriados para agirmos ou não, carregando, porém, um enorme diferencial: o conhecimento melhora nossa capacidade de escolhas. Com ele diminuímos riscos e aquilatamos percepções, consequentemente aumentando chances de satisfação, o que me parece um desejo comum entre humanos. Entretanto, a conectividade global introduziu um novo comportamento social, alterando padrões de intensidade para os quais somos atraídos. Junto ao exponencial aumento de opções de entretenimento e comunicação, estamos nos sujeitando, cada vez mais, a uma inacreditável perda de tempo como se a nossa finitude assim a permitisse. Nas calçadas, nem olhar para a frente é normal, e enquanto se multiplicam notificações, avisos e convites, nossa humanidade se esvai. Não nos oferecemos mais tempo para refletir; ao contrário, colocamos a vida no modo “automático” e assim, abraçando tudo o que aparece, pouco sobra. Os ciclos de vida aos quais estamos nos submetendo, portanto, estão se unindo sem ritos de passagem, diminuindo o valor da existência até conduzi-lo a um patamar inconsistente, ainda que dinâmico. Dá para mudar? Assim como os textos devem ser revisados, a vida também merece maior quantidade de acertos enquanto erros e exageros devem se ausentar. As reflexões que fazemos no dia de Finados oferecem enormes oportunidades para isso. As lembrarmos de nossos entes queridos percebemos que não restaram apenas seus porta-retratos, mas um conjunto de experiências ainda presentes na memória. O que fica é o que vale, e o que vale é o que nos resta. Portanto, o tempo que nos separa da morte é o que valerá, um dia, para aqueles que amamos e convivemos. Se isso não servir de um bom estímulo restará a vida entretida até nos fartarmos, mas será só. Estaremos apenas em porta-retratos, nada além disso. 


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