Bate-Pronto
Gazeta de Limeira

Bate-Pronto

por Ricardo Galzerano

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22/09/2018 - Colunas

Colunas


 

Ricardo Galzerano

 

 

Vivemos historicamente entre fluxos e refluxos de dogmas e ideologias. Quando a Terra deixou ser uma sociedade quase que totalmente agrária, foram se formando as chamadas burguesias urbanas. E revoltadas com o absolutismo real, deflagraram há mais de 200 anos a Revolução Francesa, cujos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade motivaram outros movimentos reivindicatórios e/ou revolucionários mundo afora.

Já no século 19, baseados nos escritos de Karl Marx, surgiu o movimento comunista, que incendiou corações e mentes de pessoas, principalmente de jovens e de operários que trabalhavam em condições humilhantes, também mundo afora. Revoluções e muitas mortes – milhões – ocorreram em função do idealismo de propostas utópicas que em nenhum lugar do mundo se concretizaram com sucesso. Profético foi quem disse há tempos que quem não é de esquerda na juventude não tem coração, mas quem continua de esquerda quando adulto não tem cérebro. Pois, se nos aprofundarmos, podemos dizer como E.M. Foster, que a alma do homem não é socialista, é capitalista. Vivemos de estímulos concentradores – econômicos, intelectuais – para nos desenvolvermos.

Já no século 20, em contraposição ao comunismo, surgiu o fascismo na Itália, que se desenvolveu ainda mais horripilante na Alemanha. E motivou também perseguições, guerras.

Já nos tempos de hoje vivemos numa era de alienações. Vive-se ao léu do consumismo, da intolerância e do individualismo. Aí começou a surgir, qual uma cobra traiçoeira a se arrastar por entre as vidas das pessoas, as imposições restritivas do que se passou a chamar de politicamente correto. Que, entre outras coisas, serviu e serve para impor alguns limites nas sociedades cada vez mais permissivas. Mas que também gerou um desencadear de restrições que passaram a apertar, qual camisas-de-força, qualquer tipo de manifestação espontânea.

Tudo – ou quase tudo – agora é bulling, homofobia, sexismo. E outros ismos mais. Isso está fazendo, sem que muitos percebam, com que passemos a viver em constante auto-censura, auto-cerceamento. Isso influi em tudo na vida cotidiana. Dá ensejo a patrulhas ideológicas a se arvorarem como donas da verdade e da razão em criticar quem não age ou pensa de acordo com seus ditames. O politicamente correto é o dogma dos medíocres, dos que não desenvolvem pensamento crítico próprio. Querem colocar toda a humanidade dentro de seu vidrinho de restrições comportamentais e de pensamento.

A vida vem em ondas, como o mar, já versejou Vinicius. Como já passaram e ficaram como páginas da História o comunismo, o fascismo, o nazismo, certamente essa doutrinação do politicamente correto um dia passará. Contudo, enquanto continuar vicejando – e está em plena adolescência de seu nefasto crescimento – viveremos estes tristes tempos.

Uma época é marcada historicamente pelo que deixa na música, na literatura, na arte. Que manifestações culturais expressivas das duas últimas décadas - quando surgiram as amarras do politicamente correto -  serão deixadas para a posteridade? Se lembrar de algo de real valor e qualidade, por favor me comunique.


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