Bate-Pronto
Gazeta de Limeira

Bate-Pronto

por Ricardo Galzerano

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21/10/2017 - Colunas




“A vida vem em ondas/ como o mar”, já versejou o grande Vinicius de Moraes, cujo aniversário de nascimento se comemorou esta semana. Nada mais verdadeiro. As ondas vêm, as ondas vão em nossas vidas. E elas variam de força, intensidade. Umas nos trazem flores e peixes para nos saciar, outras trazem espinhos e ruínas. Umas nos enchem o corpo e a alma de doce leveza, outros nos arrastam para caminhos incertos e destinos tortuosos. Há ondas e ondas. E isso transcende nossas existências pessoais.

Vez por outra há ondas que aparentemente surgem do nada – mas nunca surgem do nada – e mudam toda uma comunidade, uma sociedade, um país. E fica por vezes impossível detê-las.

Algumas dessas ondas que me vêm aleatoriamente à memória: a onda das diretas-já, que desaguou na volta da normalidade democrática no país. A onda pelo impeachment de Dilma. A onda que se gerou após o suicídio de Getúlio Vargas quando a maioria da população, crítica a seu governo, mudou seu foco quando o ocorrido foi divulgado. E os críticos de Getúlio, até então populares, tiveram que fugir do país por conta da ira popular.

Há ondas fortes que quase se completam, mas que acabam “morrendo na praia”. Um exemplo local: na eleição para prefeito de Limeira em 1982 os dois partidos de então, PDS e PMDB, podiam lançar cada um, três candidatos. O PMDB lançou Jurandyr Paixão, o favorito, e mais Luis Pedrobon e Marco Cover. Movido por uma onda que não se sabe direito como começou, a popularidade de Pedrobon cresceu no final da campanha. E o próprio Jurandyr, que acabou se elegendo, chegou a dizer que se houvesse mais 15 dias de campanhas, Pedrobon teria vencido.

O Brasil vive hoje uma crescente onda conservadora. Que inclusive vai se refletir nas eleições do ano que vem. As redes sociais estão diariamente repletas de críticas a exposições de duvidosas obras de arte pelo país. De críticas ao comportamento de determinados programas jornalísticos que estariam criminalizando mais as polícias do que os criminosos. De críticas a comerciais de TV que induzem à aceitação por parte da sociedade da ideologia de gênero. De criticas a novelas e minisséries – especialmente as da Globo -, que estariam abordando em demasia em suas linhas de dramaturgia temas como bigamia, traição, homoafetividade.

Essas manifestações críticas, essa onda não surgiu do nada: vem em função de uma exaustão por parte da maioria da população brasileira motivada pela crise econômica e pela descoberta das hoje escancaradas falcatruas de grande parte de nossas classes políticas.Somado a isso, vem a permissividade que acirra os nervos de um país de perfil majoritariamente conservador.

Vejo a situação como uma jarra cheia de água. Bastam uma ou duas pequenas gotas para transbordar. E o que está acontecendo. A água da intolerância escorre para fora da jarra da sociedade brasileira. Até quando e até onde isso vai ocorrer, não sei. Mas a onda conservadora vai dar o tom no país nos próximos tempos. E isso se refletirá nas urnas.




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