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Gazeta de Limeira

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por Rafael Sereno

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23/10/2018 - Colunas

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Palavras, palavras...

Há algo em comum entre a jovem mesária limeirense que precisou dar explicação à Justiça Eleitoral na última semana e o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL), em vídeo divulgado neste final de semana dando uma espécie de “receita” a concursandos no qual dizia como fazer para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), tirando o fato de este último ainda não ter sido chamado pela Justiça a dar explicação.
Como soubemos, a moça foi ao Instagram, falou em fraudes em urnas, dizendo que não quer o país sendo uma Venezuela. Denunciou problemas na seção em que atuou e em outras. Ciente da situação, a Justiça Eleitoral chamou-a e descobriu que nada foi comunicado, como deveria, se problemas tivessem ocorrido. Diante do juiz, ela disse que “não foi bem assim”, teria visto uma eleitora reclamar e ouviu muito na mídia. No vídeo que veio à tona, o deputado reeleito com recorde de votos – 1,8 milhão no país e 15 mil em Limeira – disse, numa hipótese de impugnação do pai, que o STF teria que pagar para ver, brincou que, para fechar o STF, basta um soldado e um cabo, entre outras palavras de desapreço a ministros do tribunal. Depois, pediu desculpa e citou “uma brincadeira” que teria ouvido na rua.
Questionados pelo que disseram, ambos, a mesária e o deputado, saíram pela mesma tangente que relativiza palavras e mensagens, e favorece, ainda mais, a nebulosidade no debate público. Numa época em que palavras voam na internet, em que plataformas de conteúdo transformam todos, de candidatos a eleitores, de empregados a servidores públicos, como a mesária, em produtores de informação (e não de jornalismo, por óbvio), é impressionante como a falta de sensibilidade impera e, com isso, a irresponsabilidade cujo dano é de difícil medição – como saber quantas pessoas viram o vídeo da jovem e reforçaram em seu interior a desconfiança sobre urnas, ou como distinguir quando um deputado está falando o que pensa ou está brincando?

No posicionamento em que pediu desculpas, Bolsonaro filho disse outra coisa interessante. “O momento é de acalmar os ânimos, que muitas das vezes é inflado propositalmente para se criar uma atmosfera de instabilidade”. Horas depois, Bolsonaro pai prometeu, em vídeo gravado à multidão de seguidores que estavam na Avenida Paulista, “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil”, na linha do “vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do país. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou [então] vão para fora ou vão para a cadeia”.
Palavras têm, sim, força maior do que sua simples emissão. Se o desequilíbrio emocional marca a eleição, o que vamos esperar do governo que será eleito no próximo domingo, seja ele qual for?
 


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