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Gazeta de Limeira

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por Nani Camargo

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02/12/2018 - Colunas

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ARTE NOS

ESPAÇOS PÚBLICOS

A arte é, sem dúvida, uma das maneiras mais interessantes de o ser humano expressar suas emoções e seus sentimentos. Confesso não ser especialista no assunto e ter conhecimentos nada profundos sobre a genialidade de Da Vinci, Van Gogh, Monet, Dalí, Picasso, Munch, Michelangelo, e por aí vai.

O que eu sei, e defendo, é que a arte NÃO tem de ser moralmente correta.

Por quê? Primeiro, porque o moralmente correto para um nada tem a ver com o que o outro pensa. A imagem de uma bunda pode ser chocante para você, saborosa para o João e irrelevante para a Maria. Segundo, porque a visão artística parte do princípio de que aquele que vê é livre para decidir o que quer ver. Ou seja: vamos parar de hipocrisia!

Por conta da ação de dois vereadores de Limeira, Nilton Santos (PRB) e Clayton Silva (PSC), a área da cultura da cidade foi colocada em xeque na sexta-feira e o trabalho de artistas, alunos e ex-alunos do Curso de Artes Visuais da FAAL, retirado de uma exposição no Museu Municipal justamente por desagradar a um determinado público. Isso mesmo, a  um certo público que vai muito pouco a museus ou espaços com este fim.

Não vejo problema na diligência dos parlamentares até o local para verificar a denúncia que receberam de que crianças estariam tendo acesso a quadros que mostravam cenas de sexo. Evangélicos e militantes do conservadorismo, ambos foram lá exercer o papel que se pautaram para seus mandatos. Pela manhã, encontraram, segundo eles, brechas na administração do museu em relação à exposição, que seria aberta só à noite, mas, na sua montagem durante o dia, os quadros estavam em uma sala aberta e suscetível a entrada de crianças, impróprias, no ver destes políticos, para consumir este tipo de arte (que eles rechaçam ser arte).

Depois de todo o "auê", tudo foi explicado, tanto pela Secretaria da Cultura como pela coordenação da FAAL: a mostra teria classificação etária e os quadros de sexo ficariam em uma área separada, sem acesso do público infantil. Simples e pronto. Mas não parou por aí. A discussão foi além. Em meio a ataques raivosos nas redes sociais, a questão virou ao fato de como obra como esta pode ser exposta em um espaço público, mantido com o dinheiro do contribuinte.

Aí descambou geral. Li nas redes e ouvi da boca de alguns que aquilo era uma "sem-vergonhice", que fetiches "têm de ser saciados em ambientes privados", que "famílias de bem" não consomem tal cultura, que "nossas crianças não podem ver essas coisas despudoradas" e que tudo isso é culpa do PT e dos "esquerdistas". Ufa! Respiremos!

Bom, vamos resumir: 1) as obras não seriam destinadas a crianças, o que, a meu ver, é correto; 2) a exposição só é consumida por quem quer, ou seja, entrou no museu, viu e não gostou, é só ir embora; 3) ninguém está obrigando alguém a gostar ou desgostar dos quadros, é apenas uma manifestação artística gente!!!!; e 4) se aquelas cenas chocaram (uma pessoa sentada na outra fazendo sexo, de quatro, de lado, por trás ou o que quer que se entenda pelos desenhos, então, é melhor não ver mais tv, ouvir algumas músicas e, principalmente, não acessar mais o Google.

Mas e a discussão sobre o fato de o museu ser público? Bom, sendo assim, tem que expor trabalhos de todo gênero, né pessoal? Para liberais, conservadores, petistas, bo


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