PONTO UM
Gazeta de Limeira

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27/07/2018 - Colunas

Colunas


Discurso

Entre as manias dispensáveis que possuo, uma delas é não ouvir músicas no rádio entre segunda e sexta. Peregrino de programas jornalísticos, vou saltando as estações previamente memorizadas e incluo, não raramente, as pregações. A milenar recomendação evangelizadora de Jesus Cristo é executada maciçamente, sobretudo nos programas noturnos, de “aluguéis” mais atrativos, e se encontra de tudo. Porém, a semelhança a unir os grandes intérpretes da Bíblia aos exorcistas de quinta categoria é o convite à conversão, notadamente aos segmentos de quem os representam. Na semana passada mesmo, refletia sobre uma pessoa do chamado mundo do “mal” quando o pregador observou em sua mensagem: “irmãos, não tenham dúvidas, o diabo existe e eu posso afastá-lo de você”! Despreparado para anotar o endereço do curandeiro, observei a mim mesmo, como, também não raramente, ouvimos sugestões que nos preenchem como uma luva em tempos de frio. E como as generalidades se aplicam aos infortúnios passageiros porque, em certa medida, sobrevivemos pela superação de nossos medos, em especial da morte. Portanto, quanto mais nos aproximamos daquilo que queremos ouvir, mais cremos ou nos confortamos. Entretanto, o filósofo e matemático francês René Descartes moldou, no século XVII, uma nova arquitetura sobre a aquisição do conhecimento. Desencantado com a forma sob a qual lhe era imposto o saber, ele decidiu encontrar explicações sob outros parâmetros, condensados na obra O Discurso do Método. Algo que tornasse universal um caminho em busca da verdade. Vale o registro de uma premissa: “Jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal, isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção”. A desconfiança, portanto, seria um caminho para rejeitar opiniões preconcebidas, todavia, com a possibilidade de admiti-las caso se comprovassem. Para tanto, a utilização de um método é indispensável, desde uma simples observação calcada em bom senso, uma busca empírica resultado de revisões conceituais para o descarte do que seja falso. Até seu raciocínio sobre a existência de Deus impressiona. Suas deduções indicam que o mais perfeito não pode ser concebido pelo menos perfeito, de tal sorte que a natureza, como a conhecemos, incluindo coisas e seres, “só pode ser garantida pela existência de Deus, ser perfeito, do qual recebemos tudo o que se guarda em nós”. Deixando a obra e retornando à conceituação popular de um bom discurso: em quem devemos acreditar? Na
À medida  que o calendário eleitoral conta suas gotas, esta nação tão dividida terá de escolher um fio condutor, e desta vez não exatamente para aprovar ou desaprovar um modelo, mas para encontrar uma verdade: quem poderá nos devolver a vida como a conhecemos? Hoje, o que faria Descartes?


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