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02/10/2018 - Colunas

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O fracasso do centro

A vitória de Emmanuel Macron nas eleições francesas de 2017 levou muita gente a acreditar que era possível transpor o projeto para o Brasil de 2018. Lá, Macron se apresentou como um candidato social liberal alternativo ao campo da esquerda e, especialmente, da extrema e ultranacionalista direita. Criou um partido de centro, subiu rapidamente nas pesquisas e virou presidente. A tática fascinou muitos por aqui, principalmente marqueteiros, mas, a uma semana da eleição, nenhum dos candidatos a presidente foi “macronizado” e a expectativa de sucesso para uma via pelo Centro está como um balão perfurado em queda vertiginosa prevista para o próximo domingo.
A via alternativa escolhida pela população para se opor à polarização PT x PSDB foi Jair Bolsonaro. Os tucanos falharam na missão de construir uma candidatura ao centro que permitisse ao eleitorado um ponto de equilíbrio. Geraldo Alckmin, mesmo com experiência administrativa e sucesso eleitoral em São Paulo, está perto de colher uma derrota fragorosa que enfraquece não só a ele, mas toda a legenda. A aliança com o “Centrão” fisiológico do Congresso está perto de um fim melancólico, uma vez que este último, é óbvio, já se camufla para aderir a quem deve ganhar. E Alckmin até em São Paulo não decolou. 
O centro se dispersou, ainda, com as candidaturas de Marina Silva, Henrique Meirelles, Álvaro Dias e João Almoêdo. Antes, Joaquim Barbosa e Luciano Huck desistiram de tentar. O apelo, feito por FHC, para um direcionamento centrista na reta final que barrasse a polarização entre Bolsonaro e Lula, soou tardio e débil numa campanha que ferve nas ruas e nas redes sociais. Quem mais capturou o eleitorado que, até pouco tempo atrás, apoiava os tucanos foi, sem dúvida, Bolsonaro. Mais pelo discurso antipetista do que por suas “qualidades programáticas”, se é que as têm.
Se as urnas confirmarem, no dia 7, as tendências apontadas pelas pesquisas de intenções de voto, estaremos diante de um plebiscito entre dois líderes, gostemos deles ou não. Lula, até o momento e mesmo que perca a eleição ao final, já é um vitorioso. Com o PT devastado nas eleições de 2016, abalroado com tantos dirigentes presos, inclusive ele próprio, conseguiu, de dentro da cadeia e da maneira mais messiânica possível, conduzir o xadrez eleitoral e colocar no segundo turno mais um poste. Do outro lado, Bolsonaro é o único que, igual a Lula, consegue tirar seu eleitor da zona de conforto para defendê-lo nas ruas, com disposição quase religiosa. 
Só líderes conseguem isso e aí fica a lição de 2018. O eleitorado brasileiro é ávido por líderes, mais que partidos, mais que ideais programáticos. De nada adiantou buscar inspiração no modelo francês. O centro fracassou na construção de um líder. Nenhum “Macron tupiniquim” surgiu.


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