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Gazeta de Limeira

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por Rafael Sereno

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04/12/2018 - Colunas

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Contra a sanha censória

A ascensão do conservadorismo radical num país cuja redação da Constituição foi feita nos estertores de uma ditadura, sob auspícios da restauração de liberdades individuais e a garantia de direitos fundamentais, tende a provocar cada vez mais atritos. Esse choque previsível, porém, não pode servir de fachada para a imposição de ações contrárias ao texto máximo do ordenamento jurídico brasileiro.
Na sexta-feira, os vereadores Nilton Santos e Clayton Silva, acertadamente, estiveram no Museu após o recebimento de uma denúncia. Encontraram peças integrantes de uma mostra numa sala, segundo eles, em que qualquer criança poderia ter acesso. Eram trabalhos feitos por alunos, sendo que, alguns deles, retratavam cenas de sexo. A prudência, que habita com a sabedoria, já dizia Salomão no Livro dos Provérbios, recomendaria que ambos buscassem mais informações junto à organização da mostra e da Secretaria de Cultura. Saberiam, por eles, que os quadros estavam em fase de montagem, protegidos por uma parede falsa, e integrariam uma exposição que teria classificação etária.
A partir daí, a combinação de excesso e equívocos produziu uma falsa polêmica. Em vez de procurar a organização (faculdade FAAL, alunos e ex-alunos), os vereadores procuraram a imprensa. Poderiam, por cautela, ter acionado Conselho Tutelar e Ministério Público para a cabal apuração das circunstâncias antes de qualquer providência. Optaram por tirar fotos posando com os quadros, tais como pescadores fazem quando fisgam um raro pirarucu nos rios da Amazônia. Não obstante, publicaram as imagens no corredor polonês das redes sociais, expondo instituição e estudantes ao linchamento histriônico típicos dos que descem a lenha, primeiro, para só perguntar depois. As imagens, que estariam numa sala fechada com classificação etária, foram disponibilizadas aos múltiplos públicos da internet – incluindo aí crianças e adolescentes – por obra dos vereadores. Por último, leigos no tema, passaram a questionar se aquilo era arte – na opinião deles, não; na de outros, sim, e isso é pluralismo.
Fariam bem o reconhecimento de que houve exageros. Se Limeira deseja usufruir todas as vantagens decorrentes de uma cidade universitária, há de se privilegiar a produção de conhecimento, a liberdade de expressão e de criação artística, itens preciosos em qualquer nação tolerante e civilizada e, não é demais lembrar, amparados em nosso país pela Constituição Federal. É inadmissível que a sanha censória prevaleça em pleno século 21 por pressões que vêm de falsos escândalos fabricados por precipitação.

 

 

 


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